O setor de construtoras e incorporadoras imobiliárias, representado pelo Índice Imobiliário (IMOB) da B3, exibiu um desempenho volátil e resiliente de janeiro de 2024 a março de 2026, apesar da manutenção da taxa Selic em patamares elevados, a partir de 12/2024 com taxa de 12,25 chegando e permanecendo em 15% de 06/2025 até 03/2026; conforme dados do Banco Central do Brasil. Essa taxa alta impactou negativamente o financiamento imobiliário para segmentos de média e alta renda, elevando custos de crédito e reduzindo a demanda, mas o setor foi impulsionado por programas como o Minha Casa Minha Vida (MCMV), que utiliza financiamento do FGTS e é menos sensível à Selic. O IMOB reflete o desempenho médio de ações de empresas como Cyrela (CYRE3), MRV (MRVE3), Tenda (TEND3), Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Eztec (EZTC3), com foco em lançamentos, vendas (medidos por VGV – Valor Geral de Vendas) e eficiência operacional.

Em comparação, o setor de infraestrutura, representado pelo Índice de Utilidade Pública (UTIL, que inclui energia, saneamento e gás) e pelo Índice de Bens Industriais (INDX, abrangendo transporte, logística e engenharia pesada), mostrou maior estabilidade defensiva. Enquanto o IMOB é cíclico e sensível à demanda residencial e juros, a infraestrutura beneficia-se de tarifas reguladas, concessões públicas e investimentos em PPPs (Parcerias Público-Privadas), tornando-o menos volátil à Selic alta. A seguir, analiso o desempenho período a período, destacando tendências, empresas-chave e drivers.

Desempenho em 2024: Pressões da Selic Alta e Desaceleração Geral

Em 2024, com a Selic iniciando em cerca de 11,75% e subindo gradualmente para níveis mais restritivos, o IMOB enfrentou desafios, registrando queda de aproximadamente 14% no ano, liderando perdas setoriais na B3 devido à desaceleração em vendas e lançamentos. Empresas de baixa renda, como Tenda (TEND3) e MRV (MRVE3), resistiram melhor graças ao MCMV, mas ações como Cyrela (CYRE3) caíram 14% e MRV 35%, impactadas por custos elevados de capital e inflação de materiais. O PIB da construção cresceu 4,2%, mas o setor como um todo sofreu com interrupções na cadeia de suprimentos.

Comparativamente, o UTIL avançou 20 a 25%, beneficiado por demanda estável por serviços essenciais e regulação tarifária, enquanto o INDX recuou 6,73%, afetado por custos industriais e base alta, mas apoiado por concessões em rodovias e energia. Infraestrutura superou o imobiliário em resiliência, com menor sensibilidade à Selic.

Desempenho em 2025: Resiliência Apesar da Selic em 15% e Boom no Imobiliário

Com a Selic estabilizando em 15%, o IMOB surpreendeu com alta de 81,09% (ou 73,5% em algumas medições), o melhor desempenho entre índices da B3, impulsionado por recordes em VGV (R$ 150 bilhões) e foco em baixa renda via MCMV, que mitigou o impacto dos juros altos. Destaques: Moura Dubeux (MDNE3) +114%, Direcional (DIRR3) +36% em lucros, Cury (CURY3) +45%, Cyrela (CYRE3) +48,8%, Tenda (TEND3) e MRV com receitas bilionárias, apesar de margens pressionadas. O PIB da construção cresceu apenas 0,5 a 1,3%, mas as listadas superaram graças a eficiência e rotação de investidores para cíclicos.

O UTIL subiu 61,37% (ou 63,16%), com estabilidade em utilitárias, enquanto o INDX avançou apenas 0,70%, impactado por volatilidade industrial. Imobiliário superou infraestrutura, destacando resiliência via programas governamentais, enquanto infraestrutura manteve defesa.

Desempenho em 2026 (janeiro a fevereiro): Início Positivo, mas Selic em 15% Limita o topo

Com Selic mantida em 15%, o IMOB acumulou +21,30% até fevereiro (parcial até março), liderando o mercado graças a otimismo com FGTS recorde para habitação e infraestrutura, apesar de desaceleração inicial (índice CNI em 43,1 pontos em janeiro). Empresas como Moura Dubeux continuaram expandindo, com Cyrela liderando valor de mercado (R$ 13,38 bi) e altas em Cury (+52,3%) e Direcional.

O UTIL avançou 10 a 15% (estimado), com estabilidade regulada, e o INDX +6,25%, impulsionado por recuperação industrial. Imobiliário segue à frente, mas infraestrutura ganha tração com investimentos críticos.

Fatores Influenciadores e Perspectivas

A Selic em 15% pressionou margens no imobiliário, encarecendo crédito para média/alta renda, mas baixa renda (via MCMV) sustentou crescimento, com VGV alto e ROE acima de 10 a 15% em líderes como Eztec e Cyrela. Infraestrutura foi mais defensiva: UTIL beneficiado por regulação, INDX por PPPs e infraestrutura (R$ 280 bi em investimentos). Acumulado desde jan/2024: IMOB ~+85%, UTIL ~+80%, INDX ~+0%.

Para o restante de 2026, com Selic persistente em 15%, o imobiliário pode desacelerar em média/alta renda, mas crescer 2% no PIB setorial via baixa renda e infraestrutura. Riscos fiscais e custos trabalhistas persistem, mas líderes como Cyrela, Tenda e MRV oferecem o topo (preços-alvo elevados por analistas como JPMorgan e BTG). Infraestrutura deve manter estabilidade, ideal para perfis conservadores. Monitore balanços do 1T26 para ajustes. O período consolidou recuperação pós-pandemia, com IMOB superando infraestrutura em topo, apesar da Selic alta.


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